"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional"


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Humor sem Censura

Sejam muito bem vindos de novo, caros seguidores, leitores, amigos ou simplesmente “andarilhos virtuais” vagando atrás de quer que seja na rede. Sabem que não importa quem sejam ou de onde venham, serão sempre muito bem acolhidos aqui no meu “cantinho”!

O assunto que lhes trago hoje vem em quatro postagens para que fique mais dinâmico.
Mas para você que me acompanhou em onze postagens para descobrir se o Amapá de fato existe (que, aliás, até hoje eu não consegui descobrir...), vai adorar refletir comigo a respeito da lei que proíbe os programas humorísticos de satirizar os candidatos.

Assim, tenho aqui um texto publicado na versão On Line do jornal Folha de São Paulo do humorista Danilo Gentili (Eu sei, eu sei... Ele de novo. Mas aproveito e recomendo: twitter.com/danilogentili ) que reflete a indignação de toda uma classe, os humoristas.

Depois de acompanhar a leitura, tenho certeza que concordarão comigo que é impossível ficar simplesmente calado com toda essa situação. No mínimo um “sarrinho” a gente teria que tirar...

Sou fã do programa CQC – Custe o Que Custar desde a sua estréia em 2008, mas depois do Twitter, venho sendo fã de cada um daqueles oito malucos a cada dia que passa.
E o Danilo entre eles vem me impressionando sempre com a forma que critica e alfineta o “Poder Público” com um humor ferino como há tempos eu não via.

Esse humor crítico é uma coisa tão simples... Tudo o que se precisa é dizer a verdade, só isso. Afinal política nesse país é a nossa maior piada mesmo. Simples assim, só o que falta é gente com coragem para fazer. E agora, no período eleitoral,tem que ter coragem mesmo porque mangar um candidato é crime, pô!

Sem mais delongas, bora rir e refletir:


O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) está preocupado, pois entendeu que satirizar um candidato na TV gera desigualdade no processo eleitoral. Ufa! Agora os indefesos candidatos já podem respirar aliviados e se concentrarem na campanha em que, na mesma TV, durante a propaganda eleitoral gratuita, um terá 10 minutos a mais que o outro para expor suas idéias. Isso sim é democrático, igualitário e... Droga... Aqui caberia uma piada, mas não posso fazê-la.

Agora é contra a lei ridicularizar o candidato. Então, lembre-se: por mais ridículo que ele seja, guarde segredo.

Exemplo: Ainda que Collor ridiculamente ligue pra casa de um jornalista o ameaçando de agressão, por mais tentador que seja não mire sua lupa cômica nisso. Ele é candidato, e candidato aqui não fica exposto, fica blindado. O TSE não é o feirante japonês que deixa a mercadoria exposta para que possamos apalpar e cheirar antes de levar. Ele é o coreano do Paraguai que a deixa na vitrine. Você não toca, não cheira. Apenas paga. Quando chegar em casa, reze antes de abrir a caixa.

E a discussão se essa censura é ou não constitucional? Tenho fé que em breve teremos uma resposta sensata. Logo após eles chegarem à conclusão de outra discussão que há anos os perturbam: afinal, o fogo é ou não quente?

O humorista pega a verdade e a exagera. Ao contrário do político, a verdade é imprescindível para o sucesso de seu trabalho. E esse é o problema. Num país onde culturalmente é bonito lucrar com a mentira, a verdade não diverte. Assusta. Indigna.

Onde já se viu um coronel permitir que manguem de sua cara em sua província? Então censuremos! Por isso, recentemente, tivemos imprensa brasileira censurada, jornalista estrangeiro expulso, repórter agredida e agora, humorista amordaçado. É melhor que o Estado defina o que pode ou não ser passado para o público, assim o público continua passando o que interessa para o Estado.

Aristófanes, pai da comédia antiga, exercia abertamente sua função de fazer o público rir, criticando instituições políticas e seus representantes. Se fosse brasileiro, hoje, Aristófanes não poderia realizar seu ofício. A visão democrática do TSE está mais atrasada que a da Grécia de 400 a.C.

Henri Bergson, filósofo francês, afirmou que "não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. Comicidade dirige-se à inteligência pura". Filosoficamente, o pessoal do TSE não é humano, nem inteligente o bastante para compreender o que foi escrito há quase um século atrás.

Freud, pai da psicanálise, entendeu que "rir estrondosamente, satirizar personagens e acontecimentos fazem parte da nossa experiência cotidiana e é crucial pra nossa condição humana". Um século depois, temos uma lei que impede a manifestação do cômico num evento tão importante pra sociedade como a eleição. Psicossocialmente falando, a democracia brasileira encontra-se retardada.

Estudos observam que primatas riem de boca aberta para manifestar raiva e hostilidade. A evolução preservou o instinto do riso no ser humano para que fosse a válvula de escape substituta à agressão física. A lei eleitoral quer abafar o instinto compulsivo da piada e do riso (e sabe lá Deus aonde isso vai poder explodir). Biologicamente, eles estão forçando um passo atrás na escala evolutiva.

Enquanto o Brasil se orgulha de dialogar com países desenvolvidos o suficiente para que nenhuma forma de comunicação seja restrita, a gente fica aqui rindo das imitações de Silvio Santos, porque é o que se pode fazer no momento. Claro, enquanto o Silvio Santos não for candidato.

Muito político faz chorar. Com a mesma matéria-prima o humorista faz rir. Para o TSE a segunda opção é uma ameaça e precisa ser contida.

A liberdade de expressão aqui tem o mesmo conceito de liberdade do zoológico. Faça e fale o que quiser. Você é livre! Desde que não passe dos limites da sua jaula.
Não me multem, por favor. Isso não foi uma piada.


Ah, os seres humanos...

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